sábado, 14 de janeiro de 2012
Outro Eu: Alienação (por Luis Henrique)
Sinto uma tristeza enorme pelo "emburrecimento" das pessoas, de alguma forma,também vitimas de anos de manobras da mídia marrom, da tradição reacionária fascista herdada de nossa ditadura até os dias de hoje, que destruiu nossa auto-estima,tirando nossa confiança de lutar por nossos direitos,e amansou e tornou apática nossa população, que aprendeu a aceitar tudo com normalidade e repetir de que para nada em nosso país a solução.Para explicar bem isso usaria alguns termos psicanalíticos 1-As pessoas agem sempre desamparadas,querendo serem amadas pelo pai (estado) e se tornarem igual a ele 2- projeta-se tudo aquilo que é do individuo no outro, que o incomoda, como maneira de justificar aquilo que ele não faz "Esse pessoalzinho que vai na cracolândia,passar a cabeça daqueles vagabundos não vai mudar nada" na verdade quer dizer "sou um estupido,que não levanto meu rabo para nada, para mim é mais fácil criticar,ja que eu nem saberia o que fazer 3- Racionalização: encontrar QUALQUER justificativa,mesmo sem embasamento para concluir seu argumento chulo.É mais fácil apontar um erro do que uma solução, criticar os defeitos, pq uma solução leva tempo...se alcança por erros e acertos,assim ela se controle...necessita otimismo,vontade,coragem...e sabemos que isso não são virtudes de qualquer um.Então, para os críticos de sempre,saibam que lutamos não só contra a Policia, o Estado e suas instituições...vcs também são nossos inimigos, vcs envenenam as idéias com seu ceticismo,com sua descrença,mas mais que tudo, com sua ignorância...leiam,duvidem da mídia vigente, mas façam uma coisa muito importante:LEVANTEM SEUS RABOS e saiam de casa, procurem sair da sua zona de conforto para conhecer um pouco mais da realidade que os cerca, conheçam as comunidades mais carentes,escutem o que eles tem a dizer.Dispam-se dos velhos conceitos de sempre e critiquem sim, mas com bases naquilo que é experienciado.Chega de verborragia, pensem em novas soluções, novos meios de conter os problemas.Entender a violência é entender que ela é praticada todos os dias com o desemprego e fome,que violência é falta de acesso a escola, a saúde, que violência é também não ter onde morar, que ela está em muitos lugares e que todos somos suas vitimas.Entender isso é entender que alguns são marginalizados e nunca terão chances de igualdade.Alguns não possuem ninguém para reivindicar seus direitos.Então antes de fazer um comentariozinho brincalhão e estupido (desculpe,mas sei que isso serve para alguns amigos) de banalizar isso que escrevi,ou de me acusar de utópico,romancista,vagabundo,maconheiro,viado (esse eu ouço direto) poetinha do face (é foda,só pq eu curto por algo que presta e não um monte de post babaca ou exibicionista) chatão e coisa do tipo,peço uma reflexão...(se é que algum desses que eu me referi conseguiu ler isso até aqui.Pense antes de fazer uma crítica, pense antes de reproduzir um conceito.Tenho a sorte de poder trabalhar com a população mais carente,de poder ter acesso a suas problemáticas. Faço parte deles e eles me tornam cada dia mais humano...essas pessoas me dão uma lição de fé, de esperança...e não sei de onde eles trazem tanta força.
Escrevi isso pensando nessas pessoas, as pessoas do acampamento do Pinheirinho,os moradores de rua que vivem na "Crackolandia" e também cada usuario do serviço do CRAS de Diadema ao qual trabalho, que me mostram dia após dia cada cicatriz da violência da miséria,da vida dificil.Que as pessoas tentem serem mais sensatas antes de julgar...é dificil julgar alguém,é dificil entender as causas de um problema.Mas para terminar gostaria de mais uma vez citar as palavras sabias do Almir Klink:
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”
Abraços e obrigado para quem se dispôs a ler essas palavras.
Luis Henrique
domingo, 18 de dezembro de 2011
Luto pelos nossos filhos!
Eu não conhecia João Helio Fernandes.
Sua família e conhecidos são estranhos para mim, mas, também, chorei por ele. Fiquei horrorizado com a selvageria que aqueles seres desafortunados, alguns menores de idade, foram capazes de fazer com esta criança.
É impossível dizer que não sabiam quais seriam as conseqüências de seus atos e me refiro, não apenas ao brutal assassinato, mas, também, à atitude de armarem-se, à atitude de atacarem outros seres humanos e, também, à atitude de tomarem através da força bruta bens de outrem.
Toda esta tragédia, seguida por tantas outras que viraram notícia nos jornais ou não, estas últimas, talvez, ainda mais penosas, pois ninguém foi até a casa destes para consolá-los, perguntá-los sobre a sua decepção com a sociedade, com o governo ou o que acharam da derrota do Brasil na copa de 2006!
Eu acredito que esta deve ser a maior decepção com o mundo em que vivemos atualmente: a nossa IGNORÂNCIA em relação às tragédias que ocorrem em lares vizinhos aos nossos, os assassinatos "invisíveis" que ocorrem nos bairros "perigosos" de nossas cidades, apesar do fato destes bairros estarem cada vez mais próximos de nossa casa.
Nesta sociedade onde cada um olha cada vez mais para o próprio umbigo, onde a "farinha" é sempre pouca, fomos deixando de olhar para nossas vizinhanças achando e que o cancêr da miséria e da violência ainda estivesse longe e, agora, somos "pegos de surpresa". Muitos cobram atitudes do Governo, mas tenha certeza povo brasileiro, vivemos sim numa democracia, sob um governo que é do povo e que reflete a imagem do próprio povo! Quando dizemos que o Governo não liga pra nós, que o Governo não quer saber da educação, que o Governo não liga pra nossa insegurança, nós estamos apontando para o reflexo do que nós fazemos em nossas próprias casas.
Nos perguntamos no que dá na cabeça de alguém para que este resolva arrastar um garoto por quilômetros preso pelos pés a um cinto de segurança: "Que força ou entidade maligna teria dito para estes rapazes fazerem o que fizeram?", "Quem disse que eles podiam fazer isto e sairem impunes?", "Quem disse que eles poderiam fazer isto?"...
Eu pergunto: QUEM DISSE QUE NÃO PODERIAM?
Será que a sociedade ensinou a estes rapazes que não se faz uma coisa destes a criatura alguma? Será que a sociedade deu motivos para que estes rapazes a respeitasse? Será que fomos capazes de ignorar estes rapazes enquanto ainda eram crianças? Será que estamos ensinando aos nossos filhos o que é o certo, não só com palavras, mas com o exemplo? Será que seremos capazes de ver nossos filhos atrás das grades e sobrevivermos a um horror como estes? Será mesmo que nossos filhos são responsabilidade nossa e só nossa?
Os filhos dos nossos vizinhos que passam fome em casa, os filhos dos nossos vizinhos que veêm os pais sem saber como pagar as contas atrasados a três meses ou mais, os filhos dos nossos vizinhos que passam o dia inteiro nas ruas e temem o momento de voltar pra casa com medo do pai-bêbado e da mãe-aterrorizada ao ponto de não saber se defender e as suas crias, os filhos dos nossos vizinhos que sentem a falta de uma mãe e/ou um pai em seus lares, os filhos dos nossos vizinhos que acordam pela manhã e voltam a dormir na noite sem, ao menos, ver o pai ou a mãe que se desdobra em 3 ou 4 empregos diferentes para por comida em casas, os filhos dos nossos vizinhos que não sabem o que é Natal mas veêm nossos filhos brincando com suas bicicletas novas e os nossos próprios filhos...
Não, não está errado dar brinquedos a nossos filhos, dar-lhes roupas novas, pagar escola particular ou passear em carros importados. Errado é ignorarmos os nossos vizinhos e seus filhos e não fazermos nada para ajudá-los!
Sim, o Brasil inteiro deve ficar de luto, mas luto pelos nossos próprios filhos que hoje, dia 14 de Fevereiro de 2007, dia em que nós mesmos estaríamos condenando-os a serem vistos como marginais em potencial, serem expostos a sociedade como cânceres, passíveis de linchamento ou de serem julgados da mesma maneira que os chefes de quadrilha ou governantes tiranos de países destruídos pela guerra e pela fome.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
(Des)Humano
Ontem, estava na rua quando passou, na TV, uma notícia sobre os terríveis experimentos que os EUA realizaram na Guatemala. Daí uma moça que estava próxima disse, antes que a reporter terminasse de dar a notícia:
"Não estou nem aí... se for com gente eu não ligo. Só tenho pena de bichinhos."
Daí, a reporter concluiu, dizendo que as cobaias eram doentes mentais. E a pessoa "corrigiu":
"Ah, não... aí não pode. Tadinhos! Doentes mentais são muito indefesos."
Quase vomitei ao perceber que os outros que estavam em volta concordavam sem se dar conta de que ela havia colocado doentes mentais e animais no mesmo nível, merecedores de mais respeito do que outros seres humanos. Pode até parecer bonito, mas não é isto que eu entendo por igualdade e respeito pelos seres vivos.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
O que é Consciência?
NA MINHA OPINIÃO, o simples fato de alguém se dizer "budista" significa que ele não entendeu o que Buda queria dizer. A mesma coisa se aplica a quem se diz "cristão".
Sobre conjecturar sobre o que é "consciência", basta pegar um dicionário Michaelis e consultá-lo. Já, discutir, "Consciência" (com "c" maiúsculo), seria outra história, mas utilizar as palavras, que são produto do intelecto, portanto, produto de um meio rude para compreensão da Consciência, é a mesma coisa que discutir sobre futebol ou política - trata-se de mera opinião (doxa).
O maior erro de todos é julgar que Consciência ("cósmica") e consciência ("individual") sejam coisas desconexas, que não têm ligação. Este é o erro da maioria dos ocidentais, principalmente dos que já estiveram inseridos na cultura cristã, muito influenciada por Aristóteles e por Santo Agostinho, grandes filósofos que separaram "Homem" (individual) e "Deus" (cósmico).
Não há divisão ou separação do "Cósmico". Não há como regredir, nem transcendê-lo.
Sua "consciência", não é (estritamente) sua personalidade. É isto e MUITO mais.
A cada dia que passa e quanto mais eu estudo mais me convenço de que a melhor maneira de atingir a compreensão deste conceito é a prática do SwáSthya Yôga devido à suas ligações diretas ao Sámkhya (filosofia especulativa) e o Tantra (filosofia comportamental).
O Budismo professado pelo Dalai Lama é tântrico, mas este não é o budismo mais "autêntico", isto é, o que mais se parece ao budismo original, porém, por ser tântrico, NA MINHA OPINIÃO, é o que tem mais afinidade com minha idéias - mas isto, de maneira alguma, torna-me "budista".
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Salvar ou não salvar uma vida?
Ontem no meu banheiro um pequeno bezouro marrom estava sendo atacado por milhares de formigas. Ele se contorcia, fugia, tentava se salvar, mas pelo visto o veneno das picatas estava fazendo efeito. Ele corria e logo se contorcia, parecia sentir muita dor, ou o veneno das picadas estava atrapalhando sua coordenação motora.
A princípio não iria interferir, mas assim que virei as costas pensei:
- Ahimsa, aquele que não defende um inocente, podendo defender, acumplicia-se do ato.
“Ok”, pensei comigo. Peguei um cotonete e coloquei próximo as patas do besouro que a esta altura já estava de costas ao chão. Coloquei-o próximo a janela e ele ficou parado sobre o cotonete. Hoje fui ao banheiro e encontrei-o mumificado preso a teias de alguma aranha que deve estar satisfeita com sua refeição.
As perguntas:
1. Adiantou salvá-lo das formigas?
2. Era a hora do besouro?
3. Quando é a hora de ajudar?
4. Quando é a hora de deixar acontecer?
Para a primeira eu acredito que sim, pois eu podia salva-lo. Já da aranha eu não podia, pois não estava presente, se estivesse salvaria. Assim como salvaria um gato sendo atacado por um cachorro. Ou um cachorro sendo atacado por um “cerumano” (os da espécie homo-imbecilis). Ou tentaria salvaria aquele que amo de algum infortúnio.
Se nossa mãe estiver em perigo eminente, quando próximos não mediremos esforços para ajudar, mas se estivermos longe não poderiamos… logo, acredito que fiz o que deveria ter feito em relação ao besouro.
Já as outras perguntas eu deixo você responder de acordo com suas crenças…
Já que a proposta é uma espécie de discussão aberta, vou me arriscar atrevendo-me a expandí-la.
Há vários aspectos que devem ser analisados, mas comecemos pela evolução natural das espécies.
Tanto a evolução das espécies quanto o equilíbrio ambiental são dependentes diretos da cadeia alimentar.
Por exemplo, se resolvessemos salvar todos os mosquitos evitando que eles sejam comidos pelos sapos de uma determinadalagoa, intervindo na cadeia alimentar deste sistema, acabaríamos extinguindo os sapos, que morreriam de fome e tendo uma super-população de mosquitos, que poderiam procriar tranquilamente sem seus predadores naturais. Isto seria desastroso.
Utilizando este mesmo cenário, se nos abstermos de intervir no equilíbrio ambiental, possibilitaremos que tanto os sapos quanto os mosquitos sobrevivam e evoluam. Mas, evoluir? Como?
A cadeia alimentar ajuda nesta evolução eliminando os mosquitos mais fracos e lentos pois estes seriam presas fáceis para os sapos - somente os mosquitos mais "espertos" procriariam mantendo uma linhagem genética "melhor". O mesmo ocorreria com seus predadores, os sapos, pois somente os mais rápidos conseguiriam capturar mosquitos suficientes para sua sobrevivência.
Ok. Esta seria uma análise darwiniana que, apesar de parecer óbvia, religiosos discordariam e tem outro aspecto "negativo": é muito utilizada para justificar o neoliberalismo e a "lei do mais forte" no mercado, defendendo que o Estado não deveria intervir neste "equilíbrio natural" defendido por Adam Smith. Ao meu ver, este equilíbrio mercadológico onde quem tem mais devora quem tem menos deveria ser chamado "equilíbrio selvagem" para combinar com o capitalismo que, não por acaso, também é denominado "selvagem".
Dando continuidade ao raciocínio e voltando para questão levantada, observemos a evolução da própria espécie humana.
O Homo Sapiens Neanderthalensis, conhecido como Neanderthal devido as suas características genéticas não conseguiu adaptar-se e sobreviver à competição com o Homo Sapiens Sapiens, nosso atual estágio evolutivo segundo os historiadores naturais.
Todas as espécies tem por instinto mais primitivo a sua preservação e sobrevivência. Depois da "ascenção" do Homo Sapiens Sapiens não tivemos nenhum outro "competidor" na face da Terra e, graças ao nosso polegar opositor e ao lóbulo frontal cerebral desenvolvido, pudemos, nós mesmos, criar nossas "evoluções artificiais".
As ferramentas criadas pelo homem são grandes aliadas na MANUTENÇÃO de nossa espécie.
Por que o destaque na palavra "MANUTENÇÃO"? Para explicá-lo citarei duas invenções humanas importantíssimas: o medicamento e a prótese.
Na natureza, excluindo-se o homem, qualquer ser adoentado está fadado a morrer. Se este não tiver tempo para procriar, acaba ajudando na evolução de sua espécie pois sua linhagem genética suscetível a determinadas doenças é eliminada deixando que apenas os espécimes mais saudáveis procriem.
Fato semelhante ocorre com seres que nascem deficientes. Algumas espécies de animais simplesmente abandonam os filhotes que nascem com dificuldades de locomoção, sem alguma parte do corpo ou mesmo, com partes que não funcionam corretamente. Mais uma vez a espécie "ganha".
O que isto tem a ver com a "manutenção" da espécie humana?
Quando usamos medicamentos para manter vivos espécimes humanos que não tem condições de sobreviver sem o uso deles, acabando permitindo que sua linhagem genética perpetue-se, passando para a próxima geração o "defeito" de ser suscetível a determinadas doenças.
Como exemplo de prótese, utilizarei os óculos, que nada mais são do que olhos postíços. Qualquer animal, excluindo-se o homem, que nasça sem enxergar bem seria incapaz de locomover-se adequadamente e de escapar de predadores. O homem míope que seus óculos, vive tão bem quanto qualquer outro ser e, mais uma vez, tem a oportunidade de manter sua linhagem genética.
Darwin, cientista, diria que medicamentos e próteses seriam uma "infração" a lei da evolução da espécie. Um tipo de trapaça, que, no fim das contas, não permite a EVOLUÇÃO genética de nossa espécie, mas apenas uma MANUTENÇÃO de genes. Alguns religiosos defenderiam o mesmo ponto alterando o argumento, dizendo que o homem estaria se intrometendo nos "desígnios divinos" e neonazistas fariam a festa com o argumento de que uma limpeza genética estaria apenas "seguindo as leis da Natureza".
Até aqui, de tudo que escrevi, nada se parece com uma resposta ou argumento. São apenas proposições. Como todo bom filósofo, prosseguirei neste caminho.
Qual seria o ponto de vista da filosofia em relação a "salvar o besouro ou deixá-lo morrer" (achou que eu já tinha me esquecido do assunto, né?)
Se conhecemos a lei de ação e reação (karma) então temos consciência de que AGINDO OU NÃO-AGINDO estaremos gerando karma, isto é, agindo ou não, todos nós colheremos o resultados das nossas ações (inclusive da ação de não fazer nada).
Apesar não ser hindú, assumo as leis de ação e reação e de livre arbítrio como as únicas coisas absolutas e inquestionáveis no Universo e delas não podemos escapar.
Como não posso evitar o karma em meu atual estágio evolutivo, salvar ou não salvar o besouro ou qualquer outra criatura, daria na mesma. Como os conceitos de "certo" e "errado" estão ligados ao meu próprio julgamento (meu arbítrio), desde que eu esteja consciente e pronto para o resultado que colherei de minhas ações, karma nenhum será negativo.
Então, concluindo e, finalmente, dando a minha resposta, não importa qual será o argumento que você utilizará para justificar suas ações. Se você vai embasá-la na Ciência, na Religião, na Filosofia ou no Horóscopo, isto é contigo. O que importa é que você tem que estar consciente de que, na verdade, salvando ou não o besouro, o único que poderá emitir um julgamento é você mesmo.
Desde que você possa dormir em paz com tuas ações e consciente dos resultados destas, faz o que tu queres. Há de ser tudo da lei (da ação e reação)!
É isto.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
A Política e a Educação
(publicado originalmente no blog Eu e um Outro Eu em 11/04/2010)
(enunciado)
Olá,
por gentileza.. se não estiver absurdamente ocupado, vc poderia escrever a sua opinião a respeito dessas 2 questões?
- De acordo com outras políticas sociais, a educação é influenciada pela opção política de um governo?
- E a execução de seu planejamento é decorrente dessa política?
(resposta)
A palavra "política" pode ser interpretada como a "ética da cidade (polis)" ou, melhor, a "ética de muitos". Mas como "acontece" a Política? Como ela é praticada?
A política "acontece" quando, por exemplo, direcionasse toda uma nação para um objetivo ou, em menor escala, quando direcionasse uma instituição; uma empresa, por exemplo.
Atualmente, é comum encontrarmos afixados em quadros visíveis ao público, qual é a política de uma determinada empresa ou escola. Isto denota transparência nas ações desta instituição além de buscar a afinidade dos clientes e direcionar as ações de seus colaboradores.
Sempre que falamos em direcionar, instruir ou indicar, estamos evocando a educação, isto é, a ação de educar.
Política é definir o bem comum, isto é, o que é bom para muitos (não necessariamente, para todos). Definir valores, prescrições e proscrições éticas como não agredir e não roubar, a maneira com que lidamos conosco mesmos e com os que nos cercam, quais as habilidades e padrões de comportamento que devem ser seguidos por um grupo de indivíduos é verdadeiramente "fazer política".
Mas como conseguir que este grupo de indivíduos e todos os que venham a integrarem-se a ele se enquadrem (ou adeqúem) (nota: é ADEQÚEM mesmo, com acento no U) aos valores definidos como ideais?
A Educação.
Todas as lideranças que visam manter-se e aos seus liderados, devem elaborar e implementar um plano de educação que possibilite a preservação dos valores éticos preconizados, assim como a inserção de novos valores e a preparação destes liderados para a realização de serviços, desenvolvimento de conceitos e técnicas e, consequentemente, o aprimoramento de todo o grupo envolvido.
É desta maneira, por exemplo, que o MEC define qual é a grade curricular básica e a maneira com que ela será apresentada e introduzida (didática) desde o jardim-de-infância (cujo conceito foi apresentado por escrito na "República" de Platão) e vai além da Universidade, afinal, os conhecimentos requisitados de um indivíduo que se disponha a ser atleta, policial, médico, sacerdote ou professor variam de grupo para grupo (país, estado, instituição) e de acordo com a política definida pela liderança deste grupo.
Ou seja, a Política não só influencia, mas DEFINE como será feita a educação da "polis".
Descentralização de Políticas Públicas e a Educação
(mais uma das minhas colaborações desinteressadas)
(enunciado)
(resposta)
Diferente do que costuma-se acreditar, a Democracia não foi concebida com a idéia de um governo em que todos os setores e cidadãos tivessem direito a opinar e, por conseqüência, fossem atendidos. Ela nasceu sob o ideal de um governo que represente a própria essência do povo governado.
É exatamente este o tipo de governo que temos no Brasil.
Não precisamos nos preocupar se os nossos governantes são socialistas ou capitalistas (neoliberalistas), afinal, as posturas destes, alinham-se perfeitamente à postura de seus governados.
Sem demagogia (ou hipocrisia), os valores éticos e morais de um governador ou de um deputado não são diferentes de qualquer um dos cidadãos que o elegeram, afinal, todos os que elegemos eram cidadãos comuns antes das eleições. Falo dos bons e dos maus governantes. Dos honestos e dos corruptos. Dos batalhadores e dos oportunitas.
Quando nos questionamos sobre quais das posturas (Descentralizada ou Centralizada) são as mais adequadas para as nossas políticas públicas de educação, estamos, na verdade, contrapondo a individualização dos valores (foco no indivíduo ou "cada um por si") e o pensamento coletivo (foco no social). No caso, devemos mudar o foco para a discussão "Gestão Individual das Escolas contra Gestão Social das Escolas".
Se hoje podemos nos dar ao luxo de discutir quais destes modelos são os "melhores" é porque nós temos ACESSO às escolas, afinal de contas, quem não tem este acesso, não quer saber se as escolas são gerida de forma centralida ou descentralizada. Ele apenas quer uma escola para estudar!
Discutir ou filosofar, sempre foi e ainda é coisa das elites, afinal de contas, alguém está trabalhando para que elas possam ter tempo para analisar e discutir os passos da sociedade.
Discutir um ideal é discutir algo que está no "mundo das idéias" e não está no "mundo real". Mais "prático" seria analisar os passos da sociedade e deixar as coisas se ajustarem naturalmente.
Poderia dissertar sobre as inúmeras vantagens de uma gestão centralizada onde eu apontaria como principal característica, a uniformidade (igualdade) entre todas as escolas, não importando se ele está localizada nos "Jardins", em São Paulo, ou se ela está no meio da Vila Siri, em Cubatão, mas estaríamos correndo o risco de ter o ensino público nivelado "por baixo".
Sendo realista, como EU (indivíduo) não quero que a universidade em que eu estudo ou as escolas em que minhas filhas estudam sejão tão mau geridas quanto uma das escolas públicas da Vila Siri, na prática, eu escolho o "cada um por si" e que as escolas em que eu ou minhas filhas estudem tenham os melhores recursos possíveis. Infelizes os que não podem escolher!
O que quero apontar é: não vai adiantar PENSAR SOCIALMENTE se continuarmos a AGIR INDIVIDUALMENTE.
A gestão educacional centralizada só pode ser benigna se a sociedade que a assumiu for uma sociedade de atitudes sociais, ao contrário desta cultura do "se a farinha é pouca, meu pirão primeiro!" que vem ganhando força a cada dia que passa.
Hoje, precisamos de uma "Reforma Cultural" e não de uma "Reforma Educacional". As políticas públicas para a Educação de nosso povo representarão exatamente a maneira como nós, cidadãos, tratamos uns aos outros, na prática.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Novas conclusões...
Medo, ansiedade, necessidade de controle...
A busca por dinheiro, poder ou o acúmulo de bens não vêm de um mero sentimento inato de egoísmo (ou egotismo) que o ser humano carrega consigo como uma espécie de gene defeituoso.
Todas estas buscas (incluindo a busca por respostas) são tentativas errôneas de encontrarmos uma sensação de segurança em relação ao que nos cerca.
A ilusão de desconexão que costumamos vivenciar psicologicamente em nosso dia-a-dia, faz com que nos sintamos pequenos e indefesos em um Universo cujos limites são inalcançáveis, habitando um planeta que nos transporta como uma verdadeira e gigante nave espacial controlada por um piloto automático que fica dando voltas "no mesmo lugar", inseridos numa sociedade que parece nos cobrar atitudes e posições que, muitas das vezes, nos põem em conflito conosco mesmos.
Esta ilusão (maya) em que acreditamos tão piamente devesse à nossa ignorância (ou incultura como traduzido pelo Mestre DeRose) por não estarmos VIVENCIANDO o autoconhecimento obtido através da expansão da consciência que somente o Yôga proporciona. Tenho isto, comigo, como uma verdade.
Portanto, na minha condição de ignorante, pergunto-me:
- Como é que eu posso saber disto se eu mesmo não tenho a sensação de ter a consciência assentada em um estado expandido?
- Acredito que a mera EXPERIÊNCIA seja insuficiente para ocorram mudanças efetivas na vida de um indivíduo. Estas mudanças são resultados de uma VIVÊNCIA e não de um simples contato. Assim sendo, enquanto eu não vivencio um estado de consciência expandida, eu "sei" ou "acredito" que ele exista?
- Se "tomar consciência" é assumir como verdade algo que já era verdadeiro... será que estou (ou estamos) em samádhi mas ainda não percebi?
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
sábado, 4 de outubro de 2008
A verdadeira história da Humanidade
http://www.clubedaluta2003.blogger.com.br/
Não deixem de visitá-lo!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Sociedade do Emburrecimento?

Questões que afligem a humanidade hoje
Quem usa a barra de utilidades Google ou o ótimo navegador Firefox conta: na hora de procurar algo, com uma mãozinha do mecanismo de busca, basta começar a digitar a palavra, frase ou pergunta a ser feita que ele te mostra as possibilidades mais populares, para que você não precise digitar o restante e ganhe tempo. Pois semana passada comecei a digitar “Como dar um nó na gravata” e tive uma bela surpresa. Como em inglês, língua oficial da Internet, o início de qualquer questão é “How to”, o Google acabou me mostrando quais as questões que mais afligem a humanidade nos dias atuais.
E digo isto sem exageros, pois o mundo on-line é hoje um espelho da vida real, afinal de contas são pessoas de verdade usando a Rede para se comunicar, informar e divertir. E nesse mundo único, sem divisão entre real e virtual, a pergunta que não cala é: “Como se beija?”. Pelo visto, as pessoas acham que vão aprender isso pela Internet, ou então não tem ninguém com quem se sintam à vontade de perguntar.
É impressionante que numa rede mundial onde quase 50% de todo o tráfego de informação é pornografia, as pessoas estejam interessadas em algo básico e verdadeiro como o beijo. A segunda pergunta é: “Como fazer para engravidar?”, mostrando que – ao contrário do que os pais de filhos adolescentes pensam – engravidar não é tão fácil. A terceira, “Como fazer para emagrecer?”, trata de um dos males contemporâneos que mais atormentam, na ditadura estética atual.
A quarta posição fica com “Como fazer uma carta de apresentação?”, o que mostra que as pessoas querem trabalhar, mas dá indícios de que o mercado de trabalho anda cada vez mais competitivo. A quinta posição é uma das positivas dentre as citadas: “Como tirar um passaporte?”. Revela que as pessoas querem viajar, conhecer culturas. Ou então imigrar, vai saber. A sexta posição fica com “Como baixar vídeos do Youtube?”, confirmando a importância do conteúdo multimídia disponível na Internet.
E finalmente, volto a ter um mínimo de esperança na humanidade: “Como salvar uma vida?” é a sétima pergunta. Já não era sem tempo, pois as seis primeiras perguntas são de alguma forma individualistas ou ligadas à estética, são exceção da sobre gravidez. Animado, clico para ver que conteúdo encontrará a pessoa que quer aprender a salvar vidas. Percebo então, para minha surpresa que “How to save a life?” nada mais é do que o nome de uma música da banda de rock Fray. Que ingenuidade a minha!.
Fonte: Jornal do Brasil. Ano 117, nº 330. 03 de março de 2008. Pág. A24
Coluna: Cibermundo. Autor: Cid Andrade
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Analisando-se o artigo acima transcrito, sem grande esforço, podemos, ao menos desconfiar, que essa “Sociedade do Conhecimento” - maneira pela qual boa parte dos estudiosos contemporâneos tem denominado nossa sociedade, uma sociedade centrada na Informação, diferente da “Sociedade Industrial” que se baseava na produção industrial; poderia (e muito bem) ser denominada como a “Sociedade do Emburrecimento”.
Dentre as características mais significativas de nossa sociedade, destacam-se: sua agilidade, sua capacidade de adaptação às novas tecnologias e a atual adoção da Informação como seu centro, o que gera uma enorme demanda deste “produto”.

Estas são características intimamente ligadas que se complementam e reforçam, e que fomentam, assim, o desenvolvimento de tecnologias ainda mais avançadas e capazes de atender às expectativas dos integrantes da própria sociedade.
Talvez porque, como um “workaholic” que ocupa sua mente com diversos afazeres, adiando o momento de ocupar-se de si mesmo, a sociedade contemporânea, muitas vezes apontada como viciada no consumo de bens, e furtando-se de ocupações mais elevadas, agora está contraindo, como todo drogadito, um novo vício e, talvez, numa droga ainda pior: a Informação.
Uma das grandes preocupações que devem ser levadas em consideração é a quantidade de informação que estamos ingerindo.
Em longo prazo, quais serão os frutos deste comportamento?
Informação sem processamento não é Conhecimento. Bob Black, em seu livro Groucho-Marxismo (Ed. Conrad. ISBN: 85-7616-150-8) afirma que a informação, quando excessiva, passa a ter o nome insosso de “dado”.
De acordo com o tratamento que damos a uma determinada informação, podemos adquirir vários conhecimentos. Como quando observamos um gráfico do índice Bovespa. Um gráfico é só um gráfico, mera Informação, mas quando analisamos seus altos e baixos, a sua amplitude da variação de valores e outras características, podemos determinar se o mercado está instável, se o momento é propício a novos investimentos ou se devemos ser cautelosos. Estas determinações podem ser chamadas de Conhecimento.
A matéria-prima do Conhecimento é a Informação e, partindo deste princípio, o Conhecimento pode ser definido como a Informação refinada.
Este “produto” - que é básico aos indivíduos da sociedade contemporânea que querem desenvolver-se pessoal ou profissionalmente; de maneira similar a vários medicamentos que podem salvar nossas vidas e que, se administrados de maneiro incorreta, podem levar-nos à morte, podem estar corrompendo nosso Conhecimento como um câncer que não pôde ser detectado sem exames aprofundados.
Observando-se os meios de comunicação mais acessíveis e acessados, nota-se que as informações oferecidas são tantas, que a tarefa de refiná-las torna-se praticamente impossível, comparável ao esforço de tentar separar manualmente os maus grãos dos bons, de toda uma safra de soja brasileira. Desta maneira, somos forçados a ingerir as informações em seu estado bruto e, enquanto as digerimos, continuamos sendo alimentados com mais e mais.
Servindo-se comida desta maneira a um homem, este seria forçado a abandonar o trabalho de digestão e seria acometido de náuseas, vômitos e diarréia. No fim, o que seria excelente nutriente tornar-se-ia terrível excremento.

Os filósofos contemporâneos hão de encarar a elaboração de respostas a estas questões como um dever e uma maneira de se eternizarem.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Breve História Ilustrada da Humanidade
(link original)
http://blog.uncovering.org/archives/2007/04/breve_historia_1.html
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Por maior que seja o esforço em contar a história da humanidade, esta é tão extensa, complexa e recheada de detalhes que torna esta tarefa quase impossível. A proposta que aqui fica é a de contar essa história com imagens.
Para mim, a viagem ao longo do tempo foi tremendamente interessante por dois motivos: - Nunca encontrei um resumo tão bom - Julgo ser capaz de identificar quatro tendências que se repetem ciclicamente ao longo do tempo: Guerra, Mulheres, Sexo e Intrigas.

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É como dizem: uma imagem vale mais que mil palavras!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Sincretismo contra o Cretinismo

Por que se pregaria o amor ao próximo e a não-violência se o próprio pregador não corresse o risco de ser atacado? Não devo desejar riquezas para que eu me satisfaça com o pouco que tenho enquanto os governantes vivem em meio à fartura? De fato, tenho livre arbítrio ou apenas acredito que o tenha pois Deus "quis" que eu o tivesse?
Uma religião nasce quando alguém (ou "alguéns") resolve utilizar um sistema filosófico para controlar as pessoas que ele (ainda) não governa, afinal, antes de existirem as leis de um Estado, (sempre) existiram as leis de uma Religião!
Consultem nossa constituição e nosso código penal e os comparem com as leis da Igreja Católica. Façam o mesmo com leis de Israel e a Cabala e com as leis da Palestina e o Corão.
Não discutimos a validade das leis e ensinamentos das religiões. Queremos apenas demonstrar como elas podem nos controlar.

O homem que encontra Deus dentro de si, em toda a natureza ou o que decide sobre quais templos (ou terreiros) ele vai freqüentar - sem fidelidade a uma determinada religião, é o homem que está mais próximo de Deus.
O homem só deve fidelidade a si mesmo e sua felicidade não depende de sua ligação a Deus.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Artista do mês: Rafael Sica
Precisa de um empurrãozinho que o ajude a libertar seu pensamento do tradicional? Conheça o blog deste sujeito em http://rafaelsica.zip.net/.
Ele não é traficante de drogas, mas seu produto vai explodir teu cérebro!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Cinzano

com um belo sorriso no rosto,
não se lembra de viver o oposto
e escova os dentes frente ao lume.
Trajando seu casaco de veludo
dá gorda gorjeta ao leiteiro,
ele vislumbra seu dia inteiro
pensando em salvar o mundo.
Como sempre, gentil com as crianças,
doa agasalhos, roupas, cobertores,
aquecendo os pobres que passam frio.
Vive infeliz em suas devianças,
sem viver os verdadeiros amores
ou saber como é cruel e mesquinho.
Dorme e acorda pensando nos outros
pois, em seu coração, VIVE SOZINHO!
quinta-feira, 31 de julho de 2008
O Tudo no Nada: Questões
Acredito que grande parte do "ser filósofo" é ensinar, aos outros, a filosofar. É levantar as questões que aqueles que ainda não se perderam (ou se acharam) em seus pensamentos deveriam estar fazendo se quisessem alcançar uma maior consciência frente a Humanidade e a si mesmos.
Seguem algumas questões que julguei interessante fazer em relação ao conto apresentado na postagem anterior, "O Tudo no Nada", e algumas outras que foram enviadas pelos nossos leitores.
Com relação aos comentários: não sei o por quê, mas não está funcionando. Eles chegaram via e-mail mesmo! Já estão trabalhando na solução para este problema. o.O
1 - A Felicidade tem hora marcada?
2 - Pode o Homem, controlar estes momentos de Felicidade? (Fazer a Felicidade durar para sempre?)
3 - Como o Homem define a Felicidade? Quais os mecanismos empregados nessa definição?
4 - Como o Hábito influencia a Felicidade?
5 - Questiona-se a Felicidade e seus motivos?
6 - Como estas perguntas influenciam nossa definição de Infelicidade?
7 - Felicidade existe?
8 - Quais as causas da Felicidade?
9 - É possível ao Homem, satisfazer-se?
10 - Até onde podemos controlar a Sorte?
11 - Esta Sorte já foi definida por Deus?
12 - Será que nosso livre arbítrio é limitado as regras pré-definidas por Deus?
13 - Deus define as leis morais do homem ou o homem define as leis morais de Deus?
14 - Deus define alguma coisa?
15 - Há Deus?
16 - Será, a causa motora da Infelicidade, a própria Felicidade?
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Perguntas, meus amigos. Várias perguntas e garanto-vos: São muito mais importantes (e interessantes) que as respostas encontradas, afinal, (fora da matemática) não há resposta inesgotável, isto é, que não seja base para outras perguntas.
Tens respostas e desejas partilhá-las? Tens outras perguntas e gostaria de fazê-las?
Envie-nos um e-mail (pedrofilosofia@gmail.com) ou deixe seu comentário.
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Quer contribuir com o blog? envie um e-mail para pedrofilosofia@gmail.com . Estamos recrutando! (mas não pagamos nada!)
o.O
sexta-feira, 25 de julho de 2008
O Tudo no Nada

Francisco e seus cinco irmãos logo correram para fora de casa. Suas roupas estavam encharcadas pela água que caia. O menino nunca havia presenciado evento mágico como aquele. Nem mesmo o nascimento de seus dois irmãos mais novos deixaram-no tão estupefato. Ele não sabia o que era aquilo, mas logo abriu sua boca e deixou aquele líquido gotejar goela a baixo. Era água, mas ele nem pensou nisto. Sua mente estava maravilhada com aquele evento. Ele só fez brincar e se banhar nas poças de lama que se formavam sob seus pés. Riu-se até engasgar. Bebeu até esquecer a fome.
O dia passou e levou consigo a escuridão do céu deixando para trás um outro céu com uma escuridão mais profunda e com estrelas. Também foram-se as forças dos poucos músculos que cobriam os ossos de Francisco.
O menino sentou-se, deitou-se e dormiu ali mesmo, entre duas poças de água e lama. Quando acordou, o Sol já brilhava alto e forte num céu tão azul que enchia o peito de agonia.
Francisco chegou a duvidar do que havia acontecido no dia anterior. As marcas de suas pegadas na lama seca, já não apresentavam sinal algum das águas que nelas repousaram. Os baldes de sua mãe, que transbordavam água límpida como nunca havia visto, jaziam secos. Suas roupas estavam secas e cobertas por uma terra vermelha que lhe entupiam o nariz.
O menino chorou. Chorou e debateu-se como se não houvesse amanhã.
E não houve amanhã.
Para Francisco, os dias que se seguiram foram cinza. O menino, que já comia pouco, agora negava a pouca comida que lhe era oferecida. Sua pele ganhou a mesma cor de seus dias. Ainda uma criança, Francisco tornou-se um morto-vivo. Seco como o ar que respirava. Porém, nestes dias, a caatinga ganhou vida.

A pequena roça de sua casa, que não passava de terra cavucada, agora, regada, era morada de pequenos brotos de abóbora e milho. A mãe de Francisco já não voltava para casa com um único balde água barrenta, agora, com os açudes cheios, a água fartava. Os galhos secos e espinheiros que enfeitavam a vista da caatinga, agora ganhavam tons verdes e flores. Até mesmo as poucas cabras esqueléticas que perambulavam pelo quintal da casa de Francisco ganharam alguma carne e passaram a prover leite. Aquele cenário desolado, seco de vida, coragem e amor, agora tornava-se um oásis as portas do paraíso!
Mas Francisco permanecia cinza.
Ele nunca desejara estas coisas. Na verdade, nunca concebera estar cercado por tanta vida e fartura. Francisco não via nada além da realidade a que ele estava habituado e duvidava, perguntando para si mesmo se seria possível todo aquele nada estar repleto de tudo.
Mais quatro anos se passariam até o dia em que voltasse a cair água do céu.
Os cinco irmãos de Francisco logo correram para fora de casa. Suas roupas estavam encharcadas pela água que caia. O menino que já havia presenciado tragédia como aquela, ainda não sabia como aquilo se chamava. Mas, da janela de sua casa, logo abriu sua boca e deixou aquele líquido gotejar goela a baixo. Era água! Mas ele nem pensou nisto. Sua mente estava estarrecida com aquele evento. Enquanto todos estavam destraídos, ele só fez correr através dos fundos de seu quintal até alcançar o açude mais próximo. Chorou-se até engasgar. Deixou-se afundar naquelas águas e afogou-se até esquecer a fome.
Ao chegar ao céu, Francisco esteve com Deus e este o perguntou:
- O que fizeste meu filho? Vi-te triste por anos a fio e quando volto a enviar-te as águas, resolves encerrar tua própria vida?
- Não desejava a morte, Senhor. Porém, não suportaria que aquilo se acabasse - respondeu Francisco.
- Mas a Chuva sempre tem hora para acabar - explicou-lhe Deus.
Então Francisco descobriu o nome que se dava a água que caia dos céus e, do alto dos oito anos de sua vida passada, disse ao Senhor:
- Mas a mesma regra não deveria se aplicar à Felicidade de um Menino.
Então Deus sentiu-se culpado.







